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VÍTIMA DA COVID GRAVA ÁUDIO E SE DESPEDE DE FAMILIARES ANTES DE MORRER


O farmacêutico Raimundo Nonato Teixeira Diniz, 56 anos, morreu no último sábado (11)  em decorrência de complicações ocasionadas pela covid-19. Após o enterro, que foi realizado ontem no município maranhense de Brejo, a família teve acesso a um áudio que ele gravou momentos antes de ser intubado, no último dia 05 de janeiro, no hospital de campanha João Claudino, anexo ao HUT.

Com dificuldades para respirar  e  sentindo que o seu estado de saúde se agravava, Diniz, como era conhecido, se despede da esposa e dos filhos.O áudio foi gravado por um médico do hospital de campanha e só foi repassado aos familiares após o falecimento, a pedido do próprio farmacêutico. 

"Minha filha, estou sendo intubado. A esperança é muito pequena. Então, quero pedir pra você que tome de conta dos meninos, cuide direitinho deles, cuide das coisas direito", diz o farmacêutico no áudio. 

Em outro trecho, Raimundo Diniz, que estava internado desde o dia 27 de dezembro, diz que não tinha mais esperanças de retornar para o convívio dos familiares. "Acho que a situação aqui complicou cada dia mais[...]. Procure resolver tudo direitinho, porque seu companheiro parece que não vai mais voltar para vocês[...]. Estou lutando até a última hora, mas cheguei a um ponto que eu acho que é o final. Não tenho mais nada a fazer. Tudo que eu queria era voltar para vocês, mas estou vendo que não tem mais jeito", lamenta. 

O farmacêutico finaliza a gravação pedindo a Deus para cuidar de seus familiares. "Que Deus cuide de vocês. Enquanto ele me deu a permissão, eu cuidei [...]. Não se preocupe não, que nós não somos eternos. Só quem é eterno é Deus", finaliza. 

Raimundo Diniz deixou esposa e três filhos. Ele era proprietário de uma das mais antigas farmácias da região do Dirceu, zona sudeste de Teresina. 

Foto: Arquivo Familiar

Em conversa com o Cidadeverde.com, o primo do farmacêutico, José Neto Moraes, confirmou a veracidade do áudio. Ele explicou que Diniz estava internado desde o último dia 27 de dezembro em tratamento contra a covid-19, inicialmente no hospital de campanha Pedro Balzi, na UFPI. No dia 05 de janeiro ele foi transferido para o hospital João Claudino, anexo ao HUT. 

"Quando ele estava no Pedro Balzi, estava bem e conversava todo dia com os filhos e a esposa, através de chamada de vídeo. Depois que ele foi transferido, quase não tivemos mais informações e acesso à ele. A gente só ficava sabendo do estado de saúde quando divulgavam o boletim, no final da tarde", relatou José Neto, que trabalha na farmácia de propriedade de Raimundo Diniz. 

O primo de Diniz também avalia que o farmacêutico tinha consciência da gravidade de seu estado de saúde. "Por trabalhar muito tempo nessa área, ele tinha conhecimento da gravidade da situação. Ele sabia que a pessoa quando chega a ser intubada, dificilmente retorna. É um procedimento muito complicado",destacou. 

Cidadeverde.com também conversou com a viúva do farmacêutico, Eline Barbosa. Ela destacou que Raimundo Diniz era muito ligado à família e tinha esperanças de conseguir se recuperar. 'Nós tínhamos a esperança de que ele ia se recuperar, era tudo que a gente queria. vai ficar muita saudade e muita tristeza. A gente não esperava ele partir tão cedo. Ele tinha tantos planos para realizar. É muito triste", disse a viúva. 

Popular na região do grande Dirceu, Raimundo Diniz era uma figura querida, conhecido pela generosidade e por sempre ajudar quem precisava. O primo, José Neto, e a viúva, Eline, dizem que a família deve manter vivo o legado deixado por ele. 

Natanael Souza
redacao@cidadeverde.com 

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