ESTADÃO DEFENDE CASSAÇÃO DO MANDATO DE EDUARDO BOLSONARO.

Jornal alerta para risco de repetição do erro de 25 anos atrás ao poupar Eduardo Bolsonaro, que atua em benefício familiar e contra interesses nacionais.

Estadão defende cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro
Estadão defende cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro

Em editorial publicado nesta quarta-feira (30), o jornal Estadão afirmou que o mandato do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) deve ser cassado por atuar deliberadamente para prejudicar o Brasil em benefício dos interesses particulares de sua família. Para o veículo, a Câmara dos Deputados não pode repetir o erro cometido há 25 anos, quando deixou impune o então deputado Jair Bolsonaro, pai de Eduardo.

O editorial recorda que, em janeiro de 2000, o Estadão pediu a cassação do mandato de Jair Bolsonaro, classificando-o como um “dejeto da democracia”, que usava as liberdades democráticas que queria eliminar. O jornal destaca que, mais de duas décadas depois, é preciso dizer o mesmo sobre Eduardo Bolsonaro.

De acordo com o editorial, Eduardo teria agido de forma deliberada e sistemática para prejudicar o Brasil, colocando os interesses de sua família acima do país, o que justificaria a cassação do seu mandato — considerada a única resposta compatível com uma democracia digna desse nome.

O texto cita que Eduardo Bolsonaro tem promovido ações contra instituições brasileiras, como fazer lobby junto ao governo dos Estados Unidos para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a desistir dos processos contra seu pai. Esse lobby teria contribuído para o aumento das tarifas comerciais impostas pelo presidente americano Donald Trump ao Brasil, configurando uma “chantagem explícita” a favor de Jair Bolsonaro.

Além disso, o deputado teria se colocado como negociador diplomático ao pedir sanções contra autoridades brasileiras, incluindo presidentes da Câmara, do Senado, ministros do STF e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também teria admitido estar sabotando a comitiva de senadores brasileiros nos Estados Unidos, que buscava abrir canais de diálogo para evitar o aumento das tarifas.

O editorial menciona ainda críticas feitas por Eduardo a governadores que comentaram o tema do tarifaço, ressaltando que, segundo a cartilha bolsonarista, qualquer ação que não vise a impunidade do ex-presidente é vista como uma “declaração de guerra”.

Com o fim da licença que o deputado tirou para atuar nos EUA e sem previsão de retorno imediato, o jornal ressalta que se esperava que Eduardo renunciasse ao mandato. No entanto, com rumores de que a Câmara possa usar o mesmo expediente aplicado no caso do deputado Chiquinho Brazão — permitir que faltas em sessões levem à perda do mandato — o Estadão alerta para um “erro gravíssimo”.

Segundo o editorial, a Câmara não pode se limitar a soluções superficiais para preservar sua imagem. Eduardo Bolsonaro teria ultrapassado todos os limites e merece uma punição severa, imediata e efetiva.

Por fim, o jornal conclui que, ao poupar Jair Bolsonaro há 25 anos, a Câmara se desmoralizou e não deve cometer o mesmo equívoco agora com Eduardo Bolsonaro.

PENSARPIAUÍ

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