EMPRESAS PEDEM AUTORIZAÇÃO PARA PESQUISAR TERRAS RARAS EM 14 MUNICÍPIOS DO PIAUÍ.


Estado está em fase inicial de investigação geológica, mas com crescimento do interesse empresarial nos últimos dois anos

Dulce Luz - redacao@pinegocios.com.br - PIAUÍ NEGÓCIOS.


O mapeamento técnico é essencial para orientar políticas públicas, e atrair investimentos qualificados (Foto: SGB)

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OPiauí já contabiliza 26 processos de empresas nacionais e estrangeiras interessadas em pesquisar ocorrências de terras raras, cobrindo uma área aproximada de 48,22 mil hectares em 14 municípios (veja lista mais abaixo). Os dados, consolidados a partir de registros da Agência Nacional de Mineração (ANM) e acompanhados pelo Observatório da Mineração do Piauí, indicam que o estado ainda está em uma fase inicial de investigação geológica, mas com crescimento acelerado do interesse empresarial nos últimos dois anos.

Os processos estão, em sua maioria, nas fases de requerimento e autorização de pesquisa. Ainda assim, o volume de registros cresceu de forma significativa, especialmente a partir de 2023, o que mostra o interesse empresarial pelo território piauiense em sintonia com a agenda global de minerais estratégicos.
Bruno Casanova, superintendente de Mineração e Energias Renováveis da Seplan

Esse movimento, no entanto, deve ser interpretado com cautela, de acordo com Bruno Casanova, superintendente de Mineração e Energias Renováveis da Secretaria de Planejamento do Piauí (Seplan). “O que temos hoje é um avanço importante na fase de pesquisa. Isso significa mais conhecimento sobre o território, mas não representa, neste momento, exploração ou produção mineral”, explica.

Segundo ele, o crescimento do número de requerimentos reflete uma reconfiguração do mercado global, pressionado pela demanda por insumos usados em tecnologias limpas, eletrônicos e equipamentos de alta performance.

As terras raras são um grupo de elementos químicos essenciais para a fabricação de turbinas eólicas, motores de veículos elétricos, baterias, ímãs permanentes, equipamentos de telecomunicações e aplicações médicas. Apesar do nome, não são necessariamente escassas, mas raramente ocorrem em concentrações economicamente viáveis, o que torna a etapa de pesquisa fundamental antes de qualquer decisão de investimento.

No caso do Piauí, parte do interesse está associada a estudos técnicos conduzidos pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), em parceria com o governo estadual. Um dos principais trabalhos analisou ocorrências na Formação Longá, na borda oriental da Bacia do Parnaíba, onde foram identificados níveis fosfáticos com enriquecimento em terras raras — especialmente terras raras pesadas — além de elementos como ítrio e urânio.

Bruno Casanova ressalta que os resultados ainda são preliminares. “Os dados disponíveis apontam potencial geoquímico, mas não permitem afirmar viabilidade econômica. Para isso, são necessárias novas etapas, como levantamentos aerogeofísicos e estudos mais detalhados em subsuperfície”, afirma. Segundo ele, a estratégia do Estado é investir na organização das informações e no planejamento, criando um ambiente mais seguro para decisões futuras.




Mineração gera royalties para os municípios

O superintendente da Seplan explica que o mapeamento técnico é essencial para orientar políticas públicas, atrair investimentos qualificados e evitar movimentos especulativos.

Caso alguma área avance, no futuro, para a fase de extração, a atividade poderá gerar impactos econômicos por meio da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), royalty pago pelas empresas mineradoras e distribuído entre União, Estados e municípios, conforme a legislação mineral brasileira.

“Os municípios produtores recebem a maior parcela desses recursos, mas o Estado também é beneficiário direto, além de haver repasses a municípios impactados pela atividade minerária. Esses recursos podem ser aplicados em áreas estratégicas como infraestrutura, tecnologia, educação, meio ambiente e fortalecimento da gestão pública”, destaca Casanova.
Governos e empresa estão em buscas de novas áreas com potencial geológico (Imagem gerada por IA)

O superintendente ressalta ainda que, além da arrecadação direta, a mineração formal e planejada tem potencial para estimular economias locais, gerar empregos e atrair investimentos, desde que conduzida com controle institucional, segurança jurídica e responsabilidade ambiental.

Atualmente, a produção mundial de terras raras é altamente concentrada em poucos países, o que tem despertado interesse crescente de governos e empresas na diversificação das fontes de suprimento. Esse movimento tem impulsionado a busca por novas áreas com potencial geológico, especialmente em regiões ainda pouco estudadas sob a ótica dos minerais estratégicos, como o Piauí.

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