MULHER MORREU DE TUBERCULOSE EM PICOS; 6ª MORTE PELA DOENÇA EM 2026.
Caso foi registrado no primeiro trimestre e acende alerta para avanço da doença no município.
Uma mulher, com idade estimada entre 45 e 50 anos, morreu em decorrência de tuberculose pulmonar no município de Picos. O óbito, confirmado pelo coordenador do Posto de Assistência Médica (PAM) de Picos, Gilberto Valentim, ocorreu no primeiro trimestre de 2026 e é o sexto registrado no ano.
De acordo com o gestor, a paciente já apresentava quadro clínico em estado crítico e não estava internada, vindo a falecer em sua residência. A confirmação do caso reforça a preocupação das autoridades de saúde diante do aumento no número de registros da doença na região.
Eduardo Gomes/FIOCRUZ - Mulher morre por tuberculose em Picos; sexta morte pela doença em 2026Dados da Secretaria de Saúde apontam crescimento progressivo nos últimos anos. Em 2024, foram contabilizados 19 casos de tuberculose no município. Já em 2025, esse número subiu para 26 ocorrências. Somente no primeiro trimestre de 2026, seis novos casos já foram registrados. Apesar do aumento, o coordenador do PAM destaca que esse cenário está diretamente ligado à ampliação da capacidade de diagnóstico e atendimento na rede pública de saúde.
“É importante lembrar que esse resultado de aumento está relacionado ao trabalho que estamos realizando. Ampliamos o número de consultas médicas, aumentamos a capacidade do laboratório e implantamos o exame de TRM/TB. Desse modo, esse crescimento é reflexo do investimento da gestão e já era esperado, estando dentro do previsto”, explicou Gilberto Valentim.
Ainda segundo ele, a tendência é de que o número de casos continue crescendo nos próximos três anos, como parte de um processo de identificação mais eficaz da doença. A expectativa, no entanto, é que, após esse período, os índices comecem a cair, permitindo maior controle da tuberculose no município.
As autoridades reforçam a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, alertando a população para procurar atendimento médico ao apresentar sintomas como tosse persistente, febre, suor noturno e perda de peso.
Entenda a doença
A tuberculose, uma doença infecciosa grave causada pelo bacilo Mycobacterium tuberculosis, continua a representar uma ameaça significativa à saúde pública global. A doença afeta prioritariamente os pulmões (forma pulmonar), embora possa acometer outros órgãos e/ou sistemas.
Conheça os sintomas:
- Tosse por 3 semanas ou mais;
- Febre vespertina;
- Sudorese noturna;
- Emagrecimento.
O principal sintoma da tuberculose pulmonar é a tosse, que pode ser seca ou com catarro. Caso a pessoa apresente sintomas de tuberculose, é fundamental procurar a unidade de saúde mais próxima da residência para avaliação e realização de exames. Se o resultado for positivo para tuberculose, deve-se iniciar o tratamento o mais rápido possível e segui-lo até o final.
"Todo o tratamento é gratuito pelo SUS, mas para ter a cura total, o paciente precisa seguir até o final", destaca a supervisora.
Como ocorre o contágio?
A tuberculose é transmitida principalmente pelo ar, através de gotículas expelidas pela pessoa infectada ao tossir, espirrar, falar ou cuspir. Quando uma pessoa inala essas gotículas contendo o bacilo Mycobacterium tuberculosis, o agente causador da doença, há a chance de ela se infectar.
No entanto, a transmissão ocorre geralmente em situações de contato próximo e prolongado com pessoas que têm tuberculose ativa nos pulmões (tuberculose pulmonar). Não é fácil contrair a doença com um contato breve, pois é preciso que as bactérias sejam inaladas em quantidade suficiente para estabelecer a infecção.
Pessoas com o sistema imunológico enfraquecido (como portadores de HIV, pessoas com desnutrição ou que usam medicamentos imunossupressores) são mais vulneráveis a desenvolver tuberculose após a infecção.
Tratamento
O tratamento da tuberculose envolve o uso de uma combinação de antibióticos específicos ao longo de um período de, geralmente, seis meses. O esquema terapêutico mais comum inclui quatro medicamentos principais, especialmente durante os dois primeiros meses de tratamento, chamados de fase intensiva. Esses medicamentos são:
Isoniazida (H);
Rifampicina (R);
Pirazinamida (Z);
Etambutol (E).
Depois da fase intensiva, que dura dois meses, segue-se a fase de continuação, normalmente com o uso de dois medicamentos (rifampicina e isoniazida) por mais quatro meses. Durante esse período, é essencial que o paciente tome os medicamentos de forma regular e completa, mesmo que os sintomas melhorem logo nas primeiras semanas. A interrupção ou abandono do tratamento pode levar à resistência bacteriana, complicando a cura e exigindo tratamentos mais longos e complexos.
No caso de tuberculose multirresistente (TB-MDR), quando as bactérias se tornam resistentes a isoniazida e rifampicina, o tratamento é mais prolongado (até 18 a 24 meses) e envolve o uso de medicamentos alternativos, mais caros e com mais efeitos colaterais. Durante o tratamento, é recomendada supervisão médica regular para monitorar a resposta ao tratamento e gerenciar possíveis efeitos adversos dos medicamentos.
o dia.com - teresina


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