TRANSPORTE DE PORCOS COM AR CONDICIONADO E MÚSICA.
Empresa especializada em cargas vivas colocou em operação um sistema de climatização, filtragem de ar, controle de temperatura, nebulização, bebedouros e som ambiente com música clássica.
Fotos: Divulgação/CRJ LogísticaO transporte de animais vivos passou a ocupar uma posição mais estratégica dentro da suinocultura. A etapa, até pouco tempo tratada apenas como operação logística, hoje interfere diretamente em bem-estar animal, desempenho produtivo, qualidade sanitária, mortalidade, perdas econômicas e imagem da cadeia perante o mercado. Hoje, as carrocerias têm até ar condicionado e música clássica.
No caso de animais de reprodução, o impacto é ainda mais relevante. São fêmeas de genética, marrãs destinadas à cobertura e à produção futura de leitões, com alto valor zootécnico e econômico. A forma como esses animais chegam às granjas pode influenciar não apenas a condição física no desembarque, mas também a eficiência do sistema produtivo que depende delas.

Proprietário da CRJ Logística e presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Toledo e Região (Sintratol), Celso Antonio Rosa Junior: “Percebemos que existe uma tendência para que em um curto período se tenha mais caminhões de transporte com a carroceria climatizada”
É nesse ponto da cadeia que a CRJ Logística, de Toledo, no Oeste do Paraná, vem testando um novo modelo de transporte voltado ao bem-estar animal na prática. A empresa, especializada em cargas vivas, colocou em operação uma carroceria climatizada com sistema de ar-condicionado integrado, filtragem de ar, controle e registro de temperatura, nebulização, ventiladores, bebedouros e som ambiente com música clássica. O caminhão começou a rodar entre no fim de dezembro de 2025 e vem sendo utilizado no transporte de animais de reprodução na suinocultura.
De acordo com Celso Antonio Rosa Junior, proprietário da CRJ Logística e presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Toledo e Região (Sintratol), o projeto nasceu da necessidade de reduzir o estresse térmico dos suínos durante o deslocamento. “Este caminhão foi projetado para melhorar as condições de transporte dos animais, reduzindo o estresse térmico durante o deslocamento”, afirmou em entrevista ao Jornal O Presente Rural.
A principal diferença do veículo está na capacidade de manter o ambiente interno da carroceria mais estável, especialmente em dias de calor intenso. Celso conta que estudos científicos indicam perda de rendimento dos suínos acima de 25°C e que os testes realizados com o caminhão têm mostrado redução entre 5°C e 7°C na temperatura interna da carroceria em comparação à temperatura externa.
A carroceria é fabricada 100% em alumínio e possui sistema de climatização direta, filtragem de ar, datalogger para registro e rastreamento de temperatura, bebedouros, nebulização e ventiladores. “Também conta com função fail-safe, que permite a operação como veículo convencional em caso de falha do sistema. Nosso objetivo é reduzir estresse térmico, desidratação, perda de peso, fadiga e perdas antes e depois do transporte”, detalha Celso.
Música para reduzir ruídos e estresse
Além da climatização, o caminhão incorpora som ambiente. Durante o deslocamento com os animais, são tocadas músicas clássicas selecionadas com apoio de especialistas. “A proposta é reduzir o efeito dos ruídos externos, como vento e movimentação do veículo, e manter os animais mais calmos durante a viagem”, enfatiza.
Tecnologia deve ganhar escala a médio prazo
Celso ressalta que a ideia da carroceria climatizada surgiu antes da Portaria nº 1.280 de 2025, proposta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em consulta pública para estabelecer novas regras de bem-estar no transporte de animais de produção, incluindo bovinos, suínos e aves. Segundo ele, parte do mercado associou a tecnologia a uma possível exigência legal, mas a empresa já trabalhava no conceito antes da discussão regulatória.
A avaliação do empresário é que a adoção desse tipo de tecnologia deve crescer no médio e longo prazo. “Percebemos que existe uma tendência para que em um curto período se tenha mais caminhões de transporte com a carroceria climatizada. Além deste veículo, temos outros com sistemas de resfriamento de carroceria, que estão rodando há mais tempo, e apresentam bom desempenho também”, salienta Celso.Segundo ele, a incorporação dessas soluções tende a ocorrer de forma gradual dentro da cadeia. “Existe um cuidado inicial com o transporte de animais de reprodução devido ao alto valor. Também percebemos esse cuidado no transporte de leitões desmamados e de leitões descrechados”, destaca.
Porém, o empresário aponta um cuidado menor no transporte em relação ao bem-estar dos animais destinados ao abate. “A gente ainda sente uma carência nesse ponto. Muitos veículos de transporte ainda não dispõem de estrutura adequada para garantir que os animais cheguem em melhores condições ao frigorífico”, pontua.
Biometano como alternativa ao diesel
A CRJ também testa alternativas energéticas no transporte. A empresa opera um caminhão híbrido, movido a biometano e diesel, e adquiriu recentemente um caminhão totalmente movido a biometano, que começou a rodar em abril. No caso do híbrido, que já está em uso há mais tempo, Celso relata economia de cerca de 15% em relação ao gasto com diesel. “Acreditamos muito neste formato de transição energética. Primeiro por se tratar de um gás que também pode ser oriundo de dejetos da suinocultura, assim como resíduos industriais”, menciona.

Segundo o empresário, o Oeste do Paraná possui condições estratégicas para esse modelo, por concentrar produção de suínos e, consequentemente, matéria-prima para produção de biogás e biometano. “Caminhões de ração, leite, peixe, frango, pintinhos, leitões e suínos vivos circulam diariamente. Com polos de abastecimento próximos às rotas ou às propriedades, o biometano poderia reduzir a exposição do transporte rodoviário às oscilações do petróleo cotado em dólar”, ressalta, acrescentando: “Quando começamos a olhar para essa transição energética, falando especificamente do biometano, que está ao lado da nossa casa, a gente não teria essas variáveis externas para que pudessem interferir no nosso custo do transporte rodoviário”.
A operação da CRJ dá escala ao debate. O grupo soma mais de 41 anos de experiência no transporte de suínos vivos, movimenta diariamente 11 mil suínos e 14 mil leitões destinados às granjas, atua com abrangência nacional e internacional e percorre dois milhões de quilômetros por ano. Nesse volume operacional, tecnologias de climatização, monitoramento e combustíveis alternativos deixam de ser apenas diferenciais de frota e passam a representar uma possível mudança de padrão na logística animal.
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Fonte: O Presente Rural


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