SECA E ELEIÇÃO; PORQUE O CLIMA MERECE MAIS ESPAÇO NA CAMPANHA ELEITORAL.

O Piauí entra no trimestre mais crítico do ano em termos climáticos exatamente no momento em que a corrida eleitoral para o governo do estado começa a ganhar corpo - um cruzamento de agendas que ainda aparece pouco na cobertura política. Nesta semana, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) reforçou um alerta técnico: entre junho e agosto, o Piauí deve enfrentar chuvas escassas, temperaturas acima da média e agravamento gradual da estiagem, sobretudo nas regiões Sudeste e Sudoeste.
É exatamente o período em que as convenções partidárias se encerram, as candidaturas são registradas no Tribunal Superior Eleitoral e a propaganda eleitoral começa a tomar as ruas. No papel, a notícia climática e a notícia política deveriam se cruzar. Na prática, elas caminham em trilhos paralelos. Um ano de altos e baixos hídricos O comportamento da seca no Piauí em 2026 tem sido tudo menos linear.
Em janeiro, os 224 municípios do estado apresentavam algum grau de estiagem, com 49 cidades - a maioria na região Sudeste, como São Raimundo Nonato, Paulistana e Dom Inocêncio - classificadas em seca extrema.
As chuvas de fevereiro a maio, acima da média em alguns meses, mudaram esse quadro: em junho, nenhum município seguia em seca grave ou extrema, e 54 cidades haviam se livrado completamente do fenômeno. Foi uma melhora real, mas parcial.
O próprio boletim de junho reconhece que 170 municípios ainda convivem com algum nível de seca, entre fraca e moderada, e que a irregularidade das chuvas nas regiões Sul e Sudeste pode comprometer a recuperação da umidade do solo e dos reservatórios nos próximos meses.
Foi exatamente o que o alerta técnico mais recente da Semarh veio confirmar: o respiro deve ser curto. Enquanto isso, a corrida pelo governo do estado avança em ritmo acelerado. Pesquisas divulgadas ao longo de julho - da Real Time Big Data e da AtlasIntel/MeioNorte - apontam o atual governador Rafael Fonteles (PT) com mais de 64% das intenções de voto, à frente do segundo colocado, Joel Rodrigues (PP).
No último sábado, o PT oficializou a candidatura de Fonteles à reeleição, com Washington Bandeira na vice e uma frente ampla de partidos aliados.
A gestão também aparece bem avaliada: mais da metade dos entrevistados considera o governo ótimo ou bom. Um tema que pode ganhar mais espaço Crises climáticas costumam disputar atenção com pautas como segurança, emprego e saúde - e isso não é exclusividade do Piauí.
O que chama atenção no caso local é que o próprio alerta técnico sobre o agravamento da seca partiu de um órgão do governo estadual, a Semarh, o que sugere que a informação já está disponível para orientar o debate público nas próximas semanas de campanha. Para o eleitorado, sobretudo nas regiões Sudeste e Sudoeste - mais afetadas pela irregularidade das chuvas -, a forma como candidatos e gestores tratarem o tema da segurança hídrica ao longo do processo eleitoral pode se tornar um critério relevante de avaliação.
horapiaui


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