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CRIANÇA COM COVID-19 APRESENTA SÍNDROME NEUROLÓGICA RARA

 

O Piauí registrou o primeiro caso de um paciente com Covid-19 que desenvolveu a Síndrome de Guillain-Barré, doença que pode surgir como uma reação imunológica decorrente de uma infecção. O caso foi informado à imprensa em entrevista coletiva nesta quarta-feira (21), na sede da Diretoria de Vigilância Sanitária do estado.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), o paciente apresentou sintomas da Síndrome e depois teve a confirmação da Covid-19. Detalhes do caso estão sob investigação e a Sesapi acredita que a Síndrome pode ser decorrente de uma reação do corpo do paciente à infecção pelo coronavírus, mas isso ainda será investigado.

De acordo com o médico neurologista Marcelo Adriano Vieira, o paciente – uma criança que não teve a idade informada – apresentou primeiro os sintomas da Síndrome, como perda da força muscular, dificuldade motora e perda de sensibilidade nos membros na face e nos músculos da respiração.

Após investigação da Sesapi, descobriu-se que a criança já tinha sido infectada pelo coronavírus anteriormente, não se sabe quando e nem há quanto tempo, mas não apresentou sintomas.

“Ele já abriu o quadro com manifestação neurológica, com a síndrome de Guillain-Barré. Já foi detectado quando ele estava com a síndrome. Contudo, isso não é motivo para pânico na população, mas acende um alerta porque se trata de uma doença nova [a Covid-19] que as manifestações ainda não são conhecidas por completo”, explicou o médico.

Laboratório vai investigar entrada do coronavírus no sistema nervoso

Segundo o médico, esse foi o primeiro caso documentado encontrado pela Sesapi, no mundo, em que Sars-Cov-2 – o novo coronavírus – foi encontrado no líquido cefalorraquidiano de um paciente – o líquido é encontrado no cérebro e na medula espinhal, dando acesso ao sistema nervoso.

Diante disso, uma amostra do líquido coletada do paciente foi enviado pela Sesapi ao laboratório de referência do Ministério da Saúde para uma análise mais minuciosa de como o vírus chegou ao sistema nervoso.

“Essa investigação é para ajudar a explicar como, porque esse vírus especificamente entrou no sistema nervoso especificamente dessa criança. Será que ele tem uma mutação? Que ele mudou em relação ao vírus que circula nas pessoas que tem somente o quadro respiratório? Essa é uma pergunta. E segundo, porque que esse vírus permaneceu no sistema nervoso desse paciente, detectável por tanto tempo? A Guillain-Barré é pós-infecciosa. Ela ocorre tempos depois da infecção, causada pelos anticorpos. Então porque isso aconteceu tempos depois? Será que esse vírus ele tem um santuário? Como o zika, que fica no sêmen, na urina? Será que o coronavírus fica persistindo em determinados tecidos, em determinados líquidos por mais tempo?”, explicou o médico.

Outra investigação, segundo o neurologista Marcelo Vieira, é se o vírus ainda está vivo no organismo e se ele é replicável. Ele disse que será feita uma cultura do vírus, para verificar se ele se multiplica.

“Porque em muitos casos o vírus não está mais replicando, não está mais ativo. Vocês devem ver casos de pessoas que tiveram a Covid e fazem o exame, tempos depois, e ainda detecta na garganta. Então nem sempre aquilo ali quer dizer que o vírus está vivo, você pode detectar só fragmentos do vírus e a pessoa já está curada. Então para responder essa pergunta o material vai ser enviado para a referencia nacional”, declarou.

Entenda mais sobre a Síndrome de Guillain-Barré

Especialista diz que Síndrome de Guillain-Barré está acometendo doentes de Covid-19

Considerada pelo Ministério da Saúde como uma doença rara — ela afeta entre uma e quatro pessoas por ano a cada 100 mil indivíduos. A maior parte dos casos é em pacientes de 20 a 40 anos de idade.

Os sintomas costumam ser motores. Na maioria dos casos, tem caráter ascendente, ou seja, começa pelo pés, “sobe” para as pernas e posteriormente atinge os braços. Há dificuldade para andar e manusear objetos.

Fonte: G1 PI

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